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RN perde US$ 37 milhões com tarifaço dos EUA e só redireciona 2% das exportações para outros mercados

Após o aumento das tarifas imposto pelo presidente americano Donald Trump, o Rio Grande do Norte perdeu espaço no mercado dos Estados Unidos e conseguiu redirecionar para outros países apenas cerca de 2% das vendas que deixaram de ser realizadas. Dos US$ 37,3 milhões que o Estado deixou de exportar aos americanos nos produtos diretamente afetados pelo tarifaço, somente US$ 0,9 milhão reapareceu em outros destinos. O dado indica que a retração foi, em sua maior parte, uma perda efetiva de mercado, e não apenas uma mudança na rota das mercadorias.

A matéria é do Tribuna do Norte.

A conclusão consta da análise da balança comercial do RN, elaborada pelo Sebrae/RN, que acompanha o comércio exterior entre 2020 e o primeiro semestre de 2026. A substituição foi baixa ou inexistente para pescado, produtos de origem animal, granitos, confeitos e sal. A principal exceção parcial foi a castanha de caju, que conseguiu transferir parte da perda americana para compradores do Peru, Chile, Equador, El Salvador e França.

Para o economista Helder Cavalcanti, o resultado evidencia a dificuldade de substituir rapidamente relações comerciais consolidadas. “Uma relação comercial é construída ao longo do tempo. Envolve compradores, contratos, logística, padrões de qualidade, exigências sanitárias, preços e confiança entre as empresas”, afirma. Segundo ele, a barreira tarifária reduziu a competitividade dos produtos potiguares sem que surgissem compradores alternativos na mesma velocidade. “Em resumo, é muito mais rápido perder um mercado do que construir um novo”, resume.

A análise do Sebrae identifica uma relação temporal entre a imposição das tarifas e a redução das exportações potiguares aos EUA. Antes do tarifaço, o RN exportava, em média, US$ 8,7 milhões por mês para o mercado americano. Nos três meses de vigência plena da tarifa de 50%, a média caiu para cerca de US$ 3 milhões mensais. Considerando apenas os produtos afetados, a retração chegou a 58%.

A recuperação acompanhou o desmonte das barreiras após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro de 2026. O fluxo passou para aproximadamente US$ 3,9 milhões mensais na fase de alívio parcial e chegou a US$ 4,8 milhões após a decisão, ainda abaixo dos US$ 8,7 milhões anteriores ao tarifaço.

Na comparação dos 11 meses entre agosto de 2025 e junho de 2026 com o período anterior, os produtos mais afetados foram os de origem animal impróprios para alimentação humana (-91%), atuns frescos, com perda superior a US$ 7,8 milhões, granitos trabalhados (-94%), outros peixes frescos (-90%), castanha de caju (-77%), confeitos (-29%) e sal marinho (-47%).

O Sebrae faz uma ressalva em relação ao pescado: os atuns também apresentaram retração em outros mercados, indicando a combinação de fatores específicos do setor com o ambiente tarifário. Por isso, o relatório não atribui toda a queda às tarifas. A redução das vendas de derivados de petróleo aos EUA também não é considerada efeito do tarifaço, já que esses produtos estavam isentos desde o início.

A TRIBUNA DO NORTE procurou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN), a Federação das Indústrias do Estado (Fiern) e o Sindicato da Indústria da Pesca do RN (Sindipesca/RN) para avaliar os efeitos da perda de mercado, mas não recebeu retorno sobre o assunto até o fechamento desta edição.

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