Ele passou o mês inteiro anunciando a própria ausência.
Comentou em tudo quanto foi canto, no Jucurutu em Foco, no Freitas Memes e onde mais tivesse Wi-Fi, que não ia, que não prestava, que as bandas eram fracas, que o evento era “mais do mesmo”.
Falou como quem já tinha compromisso marcado em Dubai, ou no mínimo em Natal com vista pro mar.
Mas foi.
E foi cedo.
Lá estava ele, todo arrochadinho, short mauricinho colado no corpo, camisa da Sarru parcelada em suaves 7 vezes, e claro, aquele óculos de grau que virou moda entre quem enxerga perfeitamente, mas precisa parecer interessante.
Na cabeça, um chapéu de pagodeiro que, naquela noite, parecia item obrigatório: ou era uma gangue organizada de filhinhos de papai ou estavam distribuindo na entrada junto com o panfleto da festa.
O figurino se completava com o seu carro, um polo financiado em 48x, porque elegância verdadeira é aquela que cabe no carnê.
Ele deixou a sacolinha de Mounjaro em casa e caiu na gandaia.
Ele não pegava mulheres gordas, com estrias ou que tivesse filhos, não bebia qualquer coisa, era Heineken, Stella sem glúten ou Michelob.
Na festa não podia entrar com bebida, mesmo assim, ele arrudiou, insistiu, negociou, explicou, quase apresentou currículo, tudo pra exibir seu litro de Black White misturado com Dreher.
Por: Caio Rillysson