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Superstições e o Réveillon em Jucurutu

Além da tradicional roupa branca, que quase sempre é a mesma do ano passado, só que lavada às pressas e com cheiro duvidoso de amaciante, o Réveillon também traz um cardápio vasto de superstições que prometem fortuna, amor, saúde e até juízo.

É o caso do jucurutuense, criatura que não perde uma simpatia, nem que seja pra começar o ano já passando vergonha.

Encontrei um hoje que garantiu que vai dá certo, que passou a virada com um cacho de uvas inteiro dentro da boca.

Segundo ele, cada uva representa um mês de felicidade. Quem tava por perto disse que ele ficou sem respirar, se engasgou antes do “Feliz Ano Novo” mas saiu satisfeito.

Já uma conhecida me contou, sem nenhum constrangimento, que usou uma calcinha vermelha ao contrário. Disse que traz 12 meses de amor. Não especificou se é amor correspondido, amor platônico ou amor de Carnaval, mas resumiu que  “Pior do que tá, não fica.”

Não podia faltar também ele: o dublê de rico jucurutuense. Como não tinha dinheiro pra ir pra Canoa Quebrada ou Ponta Negra, que são os destinos oficiais de gente lisa querendo parecer rica, resolveu passar o Réveillon em Boi Selado, ostentando seu velho whisky.

Dessa vez mudou o cardápio: antes era Black & White, agora foi Old Parr com Dreher, porque evolução também é isso.

O que mais me arrancou riso foi o cidadão que, sem dinheiro pra Ponta Negra, resolveu cumprir a tradição e pular sete ondas no Rio da cidade.

Detalhe importante: o rio está seco, parado, morto, só barro e pedra.

Ele pulou buraco, pedra e poeira, tudo na base da fé. Cada pulo levantava mais poeira que promessa de político em campanha. Se dependesse de água, ele tinha pulado era sete pedras mesmo, mas garantiu que o importante “é a intenção”.

Foi pro rio de camisa branca e voltou com ela cor de barro, já inaugurando o ano com a primeira decepção.

E claro, não podem faltar os clássicos:

– não varrer a casa pra não varrer a sorte;

– guardar dinheiro no bolso;

– brindar com quem estiver por perto, mesmo que seja o cunhado que você odeia.

Por: Caio Rillysson

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