A produção artesanal de queijos do Rio Grande do Norte ganhou destaque nesta terça-feira (20), quando foi celebrado o Dia Mundial do Queijo, com uma programação especial voltada à valorização do setor. O evento reuniu na Agência Sebrae, em Natal, produtores que são referência no estado, e contou com demonstração ao vivo da confecção do tradicional queijo de manteiga, além de oficinas de harmonização com alimentos regionais e exposição de produtos.
O chef de cozinha Jonatã Canela comandou uma sessão de harmonização de queijos com produtos regionais do Rio Grande do Norte durante o evento. Segundo ele, na hora de pensar as combinações, o principal critério é respeitar as características de cada tipo de queijo.
“A gente leva em conta se é um queijo um pouco mais forte, se é mais suave, se ele tem alguma nota de picância, para a gente poder ir complementando, não colocar outros ingredientes que vão brigar por esse sabor principal, até porque quem tem que brilhar é o queijo”, explica.
Além dos produtos tradicionais, como o queijo de manteiga e o queijo de coalho, o trabalho também envolve os chamados queijos de identidade e de inovação — criações mais recentes desenvolvidas por produtores locais, que carregam o DNA de cada produtor e refletem técnicas, sabores e características próprias da produção artesanal potiguar.
“Quando a gente fala de produtos de origem, onde ele é produzido carrega muita identidade. Então, o queijo consegue carregar a identidade do nosso Seridó. Passar características, notas e muitas coisas ali dentro do produto e carrega um pouco da nossa história para o Brasil e para o mundo afora”, destaca Jonatã Canela.
No estado, a produção de queijos e laticínios vem ganhando reconhecimento em nível nacional. Em 2025, produtores potiguares conquistaram 56 medalhas em três dos principais concursos do setor — Enel, Expo Queijo e Prêmio Queijo Brasil — com premiações em diversas categorias, como queijos, manteigas e outros derivados.
Durante a programação do Sebrae-RN, o produtor Lucenildo Firmino, conhecido como Galego da Serra, produziu ao vivo o tradicional queijo de manteiga. “O queijo de manteiga não tem receita, é um aprendizado do queijeiro, dia após dia. Então não tem como você dizer: ah, eu quero a receita. O queijo de manteiga não existe receita. Tem a técnica, e o queijeiro vai se adaptando e aprendendo cada dia com essa iguaria tão consumida pelo povo potiguar”.
Tribuna do Norte