Confira, abaixo, o conteúdo completo da matéria.

Alta do diesel, risco de desabastecimento e seca pressionam custos do agro no RN

O aumento dos preços dos combustíveis e os reflexos de tensões internacionais têm ampliado a pressão sobre os custos do agronegócio no Rio Grande do Norte, com efeitos diretos sobre a produção e o consumidor final. Segundo o presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), José Vieira, o óleo diesel — insumo essencial em todas as etapas produtivas — já encarece operações no campo e tende a impactar a formação de preços dos alimentos.

De acordo com Vieira, o setor acompanha diariamente a evolução do cenário e já acionou o poder público em busca de medidas de mitigação. A entidade encaminhou ofício ao governo estadual solicitando redução do ICMS sobre o diesel, em linha com a desoneração de tributos federais. “Tudo no nosso setor demanda muito de óleo diesel”, afirmou, ao destacar que o insumo é utilizado desde o preparo do solo até o transporte da produção.

Além da elevação de custos, o dirigente aponta preocupação com a possibilidade de desabastecimento pontual do combustível, já registrada em outras regiões do País. Para ele, ainda que não haja perspectiva de crise generalizada, eventuais falhas logísticas podem agravar a situação do setor. “O impacto realmente é iminente. Na hora que o custo de produção aumenta, você precisa repassar”, disse.

O cenário se soma a dificuldades climáticas enfrentadas nos últimos meses. Apesar de chuvas recentes em parte do Estado, Vieira avalia que a irregularidade pluviométrica mantém áreas em situação crítica, justificando o decreto de emergência em 166 municípios. Ele ressalta, porém, que a eficácia da medida depende da execução de ações concretas, como acesso a crédito, assistência técnica e suporte ao abastecimento de água e alimentação animal.

No campo estrutural, o presidente da Faern aponta entraves históricos ao desenvolvimento do agronegócio potiguar, como insegurança jurídica, deficiência logística e ausência do Estado em grandes projetos nacionais. Também critica a burocracia no acesso ao crédito rural e defende maior abertura na operação de fundos constitucionais, hoje concentrados em instituições específicas.

Vieira ainda menciona desafios adicionais, como a escassez de mão de obra qualificada no meio rural e problemas de segurança nas propriedades, que afetam a permanência de produtores no campo. Segundo ele, iniciativas de capacitação têm sido ampliadas, mas ainda são insuficientes diante da demanda.

Apesar das dificuldades, o dirigente aponta oportunidades em segmentos como fruticultura irrigada, exportação de pescado e expansão de novas culturas. Para ele, o potencial produtivo do Estado permanece elevado, desde que acompanhado por políticas públicas mais eficazes e coordenação entre os setores produtivos. A entrevista foi concedida à Rádio Mix 103,9 FM.

Agora RN

Compartilhe esta matéria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress