DE JUCURUTU PARA O MUNDO.
O Jucurutu em Foco estreia uma nova linha editorial dedicada às potencialidades econômicas, às riquezas naturais e às oportunidades de desenvolvimento do nosso município.
Toda quarta-feira e sexta-feira, vamos apresentar empresas, atividades produtivas e riquezas da nossa terra, destacando sua importância para a geração de emprego, renda e o futuro da nossa gente.
E para começar essa nova linha editorial, não poderíamos escolher exemplo melhor de potencial econômico da nossa terra do que a Sertão Jucurutu, o baluarte das empresas Jucurutuenses, uma indústria de laticínios que se destaca pelo crescimento de sua produção e pela contribuição para a economia local, gerando oportunidades e sustento para muitas famílias.
De uma história construída no interior potiguar a uma das maiores indústrias de laticínios do estado, a Sertão Jucurutu representa a força do empreendedorismo, do trabalho e da produção que movimentam a economia local.
Localizada no Sítio Riacho Fundo, na zona rural de Jucurutu, a indústria de laticínios construiu uma trajetória de crescimento que levou o nome do município para além das fronteiras do Seridó.
O empreendimento, associado à atuação dos empresários Otto Wagner de Araújo e Jailde Oliveira de Araújo, tornou-se uma referência na produção de queijos e derivados do leite.
Mas, por trás dos produtos encontrados nas prateleiras e da estrutura industrial que impressiona pelos números, existe algo ainda mais importante: uma cadeia produtiva que envolve trabalhadores, produtores rurais, transportadores, fornecedores e famílias que encontram nessa atividade uma fonte de sustento.
Uma história construída com trabalho e visão empreendedora
A história da Sertão Jucurutu começou em 1996. Ao longo dos anos, o empreendimento cresceu, modernizou seus processos e ampliou sua presença no mercado de laticínios.
A expansão de uma indústria desse porte não acontece de uma hora para outra. Exige investimentos, organização, conhecimento do mercado, capacidade de enfrentar dificuldades e, sobretudo, disposição para continuar crescendo.
A participação de Jailde na administração também faz parte dessa história. Antes de se dedicar integralmente à empresa da família, ela trabalhou durante 17 anos como técnica de enfermagem no município de Jucurutu e cursou Administração. Posteriormente, decidiu deixar a função pública para ajudar na gestão do empreendimento, que passava por um período de expansão.
A trajetória do casal demonstra como o empreendedorismo pode se desenvolver a partir de uma atividade produtiva tradicional, desde que acompanhado de trabalho, gestão e investimentos.
De uma indústria regional a uma operação de grande dimensão
Em julho de 2026, durante uma visita à fábrica, o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, conheceu as linhas de produção e foi informado de que a unidade processava mais de 130 mil litros de leite por dia.
A indústria produz diferentes tipos de queijos e outros derivados, atendendo a uma demanda que ultrapassa o mercado estritamente local.
A empresa também vem investindo na ampliação de sua capacidade industrial. Em outubro de 2026, foi anunciada uma nova estrutura com capacidade projetada para processar até 350 mil litros de leite em 12 horas de funcionamento. A expansão representa um passo importante para o futuro da indústria e da cadeia leiteira potiguar.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do empreendimento e mostram que Jucurutu abriga uma atividade industrial de relevância para a economia do Rio Grande do Norte.
O maior patrimônio da empresa: as pessoas que vivem do trabalho
Por trás de milhares de litros de leite processados e toneladas de produtos fabricados, existe uma dimensão que não pode ser medida apenas pela capacidade industrial: o impacto social.
Uma indústria desse porte movimenta uma cadeia que começa no campo e chega ao consumidor. São trabalhadores envolvidos na produção, na qualidade dos alimentos, na manutenção, na embalagem, no armazenamento, na administração, no transporte e na distribuição.
Além dos empregos diretos, a atividade leiteira cria oportunidades para produtores rurais, fornecedores e prestadores de serviços. O funcionamento da indústria ajuda a manter o dinheiro circulando, favorecendo outros negócios e atividades econômicas.
Informações divulgadas pelo catálogo Feito Potiguar apontam que a Sertão Jucurutu beneficia mais de 500 famílias direta e indiretamente. Esse dado evidencia a dimensão social atribuída à empresa, embora o número atualizado de trabalhadores contratados diretamente precise ser confirmado com a própria indústria.
Para uma cidade do interior, esse papel tem um significado especial.
Um emprego não representa apenas um salário no fim do mês. Representa a feira dentro de casa, as contas pagas, os filhos estudando e a possibilidade de uma família construir seu futuro com dignidade.
É por isso que discutir a importância da Sertão Jucurutu significa também falar sobre os pais e mães de família que dependem de oportunidades de trabalho, além das pessoas que encontram na cadeia produtiva do leite uma forma de sustentar suas casas.
Cada posto de trabalho e cada produtor integrado a essa cadeia podem representar uma contribuição para a permanência das famílias na região e para o fortalecimento da economia local.
O dinheiro que circula e fortalece Jucurutu
O impacto econômico de uma indústria não termina dentro dos muros da fábrica.
A compra de matéria-prima, o pagamento de salários, a contratação de serviços, o transporte de mercadorias e as relações comerciais com produtores e fornecedores movimentam diferentes setores da economia.
No caso da Sertão Jucurutu, a ligação com a atividade leiteira é especialmente importante. A indústria depende de uma cadeia de produção que envolve o campo, e sua expansão pode criar oportunidades para quem trabalha com a criação de bovinos, a produção de leite, o fornecimento de insumos e a logística.
A empresa também mantém uma propriedade rural integrada à atividade. Em agosto de 2026, representantes da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN e do Senar visitaram a Fazenda Boa Vista, onde acompanharam a produção leiteira e os investimentos voltados à expansão do rebanho.
A propriedade integra a cadeia de fornecimento de leite utilizada na fabricação dos produtos da marca. Entre as metas apresentadas estava alcançar 1.200 vacas em lactação.
Esse movimento demonstra que o desenvolvimento industrial e o fortalecimento da produção rural caminham juntos.
Quando a indústria cresce e amplia sua demanda, abre-se espaço para discutir novas oportunidades para os produtores, melhorias na produtividade e maior organização da cadeia leiteira.
Do sertão para mercados cada vez maiores
A Sertão Jucurutu também se destaca pela diversidade de seu portfólio.
Entre os produtos fabricados estão queijo de coalho, queijo de manteiga, queijo mussarela, queijo minas frescal, ricota, requeijão, nata, manteiga da terra e bebidas lácteas, entre outros derivados.
A combinação entre produtos tradicionais da cultura alimentar nordestina e processos industriais permite que a marca atenda a diferentes consumidores e amplie sua presença comercial.
A empresa já foi apresentada em publicações institucionais e setoriais como uma referência na produção de queijos do Rio Grande do Norte, com distribuição para outros estados, incluindo Paraíba e Pernambuco.
A busca por novos mercados representa uma oportunidade de levar produtos fabricados em Jucurutu a consumidores de diferentes regiões e ampliar o reconhecimento da produção potiguar.
E o potencial não termina no mercado regional. A modernização industrial e os investimentos em capacidade produtiva colocam a empresa em condições de buscar mercados cada vez mais exigentes.
Sobre as exportações internacionais, porém, é importante confirmar com a empresa quais produtos são efetivamente exportados e para quais países, antes de afirmar que a marca já chega a mercados de todo o mundo.
Uma empresa que ajuda a mostrar a força de Jucurutu
A trajetória da Sertão Jucurutu traz uma reflexão importante para o município: o desenvolvimento não depende exclusivamente de grandes obras públicas ou de investimentos governamentais. Ele também é construído por empresas que produzem, contratam trabalhadores, compram de fornecedores e criam oportunidades.
Isso não significa ignorar os desafios. Para que uma indústria continue crescendo, são necessários infraestrutura adequada, estradas em boas condições, energia, qualificação profissional, segurança jurídica e políticas que favoreçam a atividade produtiva.
Também é importante que o crescimento empresarial se traduza em oportunidades duradouras para os trabalhadores e em benefícios para a comunidade.
É nesse ponto que a discussão sobre as potencialidades econômicas de Jucurutu ganha importância: conhecer as empresas que já existem, compreender o que elas representam e pensar em como o município pode criar condições para que outras atividades também prosperem.
A Sertão Jucurutu é um exemplo relevante desse debate. Sua trajetória mostra que uma atividade ligada à tradição leiteira do sertão pode alcançar escala industrial, gerar oportunidades e ampliar a presença dos produtos potiguares no mercado.