Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2026, a Operação Mederi investiga um suposto esquema de fraudes em contratos da saúde pública envolvendo empresas fornecedoras de medicamentos e administrações municipais do Rio Grande do Norte. Entre os principais alvos da investigação está o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), as apurações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de medicamentos e insumos de saúde, incluindo suspeitas de não entrega de produtos pagos, fornecimento inadequado e sobrepreço em licitações.
Allyson é apontado como líder do esquema, diz investigação
De acordo com relatórios policiais divulgados pela imprensa, a PF sustenta a hipótese de que Allyson Bezerra ocupava posição central na estrutura investigada. A investigação descreve uma organização que envolveria empresários, agentes públicos e servidores responsáveis pela fiscalização e execução dos contratos.
Os investigadores afirmam que o então prefeito teria papel considerado “essencial” para o funcionamento do suposto esquema, sendo apontado em documentos da investigação como chefe da estrutura criminosa. Essa conclusão, entretanto, ainda não foi analisada em julgamento e permanece no campo investigativo.
A chamada “Matemática de Mossoró”
Um dos pontos mais explorados pela investigação é a chamada “Matemática de Mossoró”, expressão encontrada em diálogos interceptados pela Polícia Federal.
Segundo a PF, contratos milionários teriam sido utilizados para gerar vantagens indevidas. Em conversas monitoradas, investigados discutiriam uma divisão de recursos em que 15% seriam destinados a uma pessoa identificada como “Allyson” e outros 10% para uma mulher chamada apenas de “Fátima”. A investigação associa a referência ao então prefeito de Mossoró, embora a defesa conteste essa interpretação.
Planilha de R$ 19,6 milhões e dinheiro apreendido
Outro elemento considerado relevante pela PF foi a apreensão de uma planilha financeira durante buscas realizadas em imóvel ligado a Allyson Bezerra.
Segundo os investigadores, o documento indicaria o controle de movimentações que alcançariam cerca de R$ 19,6 milhões. Além disso, durante a operação foram apreendidos valores em dinheiro e diversos equipamentos eletrônicos que seguem sendo periciados.
A Polícia Federal também afirma ter identificado estratégias que poderiam ter sido utilizadas para ocultar recursos, incluindo saques fracionados, movimentações financeiras consideradas atípicas e utilização de estruturas empresariais para blindagem patrimonial.
Contratos milionários sob investigação
Dados levantados durante as apurações apontam que a Prefeitura de Mossoró realizou pagamentos superiores a R$ 13 milhões para a empresa DisMed entre 2021 e 2025. A empresa é considerada peça central da investigação conduzida pela PF.
Segundo a investigação, Mossoró aparece como um dos municípios com maior volume financeiro relacionado aos contratos analisados pela operação.
O que diz a defesa
A defesa de Allyson Bezerra nega qualquer participação em irregularidades.
Os advogados afirmam que não existe prova direta ligando o ex-prefeito aos fatos investigados e sustentam que a operação se baseia em diálogos de terceiros. A defesa também destaca que a investigação está em fase preliminar e que não houve qualquer condenação ou juízo definitivo sobre responsabilidade criminal.
Em manifestações públicas, Allyson declarou que colaborou com as autoridades e reafirmou sua inocência.
Investigação continua
Até o momento, a Operação Mederi permanece em andamento. Houve cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e coleta de provas, mas não existe condenação judicial definitiva relacionada ao caso. A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.