Blog Jucurutu em Foco – A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), resolveu começar o ano de 2026 “bem” em Jucurutu. Tão bem que o presente entregue à prefeitura lembra exatamente aquilo que Maria ganhou na capoeira: uma rasteira. As informações são do Blog do Bruno Barreto
Jucurutu está entre as 70 cidades potiguares que ficaram de fora do chamado Bônus por Desempenho do Fundeb (VAAR). Tradução direta: menos dinheiro para a educação básica. E não foi só Jucurutu que levou o tombo, o tropeço foi coletivo, atingindo desde pequenos municípios até gigantes como Natal, Mossoró e Parnamirim. Um feito e tanto.
O discurso oficial fala em números robustos: o RN deve receber R$ 3,97 bilhões do Fundeb em 2026, um crescimento vistoso de quase 25% em relação a 2024. Mas, na prática, essa dinheirama toda parece passar longe de quem mais precisa. Cresce o bolo, mas a fatia de muitos só diminui.
O tal bônus VAAR, vendido como prêmio por “boa gestão”, não é garantido. Ele exige uma lista quase olímpica de critérios: seleção técnica de diretores, participação no Saeb, redução de desigualdades sociais e raciais, planejamento impecável e, claro, resultados que só aparecem com investimento prévio. Ou seja, quem já está mal, afunda mais um pouco.
No Rio Grande do Norte, o cenário é digno de alerta vermelho piscando. 29 municípios verão seus orçamentos da educação encolherem em 2026. E 17 deles enfrentam a tempestade perfeita: perderam o VAAR e ainda terão queda na receita total do Fundeb. Entre eles, Jucurutu, Campo Redondo, São Paulo do Potengi e Upanema. É o famoso “apanha e agradece”.
Enquanto isso, no topo da pirâmide, dez cidades concentram quase 40% de todo o Fundeb potiguar. Natal sozinha vai abocanhar mais de R$ 424 milhões. Já os municípios do interior, que dependem da escola pública como espinha dorsal social, ficam contando moedas e fazendo malabarismo contábil para manter sala de aula aberta.
A base do financiamento segue sendo a arrecadação própria dos municípios, 82% do total. A União entra para “ajudar”, mas com regras que mais parecem punição. Se a cidade não cresce matrícula, perde VAAT. Se não cumpre metas quase inalcançáveis, perde VAAR. No fim das contas, o sistema castiga quem já corre atrás com a língua de fora.
O resultado é esse: uma governadora que fala em educação como prioridade, mas entrega um cenário onde bilhões existem no papel, enquanto prefeitos quebram a cabeça para não deixar a educação básica entrar em colapso. Para Jucurutu e outras 69 cidades, o ano começou sem bolo, sem vela e com uma bela rasteira no meio da roda.
Educação, no discurso, segue sendo prioridade.
Na prática, virou bônus para poucos e castigo para muitos.
Redação: Caio Rillysson
Confira as cidades que perderam os recursos do VAAR:
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Água Nova
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Areia Branca
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Ares
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Barcelona
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Bento Fernandes
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Bodó
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Bom Jesus
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Caiçara do Rio do Vento
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Campo Redondo
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Carnaúba dos Dantas
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Coronel João Pessoa
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Espírito Santo
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Florânia
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Francisco Dantas
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Frutuoso Gomes
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Goianinha
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Grossos
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Ielmo Marinho
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Jandaíra
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Januário Cicco
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Jardim de Angicos
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Jardim de Piranhas
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Jucurutu
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Lagoa Danta
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Lajes
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Lajes Pintadas
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Macaíba
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Macau
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Maxaranguape
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Mossoró
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Natal
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Nísia Floresta
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Ouro Branco
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Parau
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Parazinho
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Parelhas
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Parnamirim
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Passa e Fica
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Patu
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Pau dos Ferros
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Pedra Grande
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Pedro Velho
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Pilões
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Porto do Mangue
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Pureza
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Rafael Fernandes
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Riacho da Cruz
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Rio do Fogo
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Santa Cruz
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Santa Maria
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Santana do Seridó
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Santo Antônio
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São Bento do Trairi
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São Fernando
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São José do Campestre
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São José do Seridó
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São Miguel do Gostoso
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São Paulo do Potengi
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São Rafael
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São Vicente
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Senador Elói de Souza
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Serra Negra do Norte
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Severiano Melo
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Sítio Novo
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Taipu
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Tangará
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Triunfo Potiguar
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Upanema
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Viçosa
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Vila Flor
Uma resposta
O governo deve ter cobrado alguma coisa da prefeitura. Pra recursos tem que ter metas. Preciso que se fale disto. Não vamos botar a culpa só no governo do estado.